Maxiavelli: O TPI Abre um Precedente

Senhora Gainsborough de Thomas Gainsborough

O TPI emitiu um mandato de captura contra Simone Gbagbo, a ex-primeira-dama da Costa do Marfim.
A Srª Gbagbo está a ser acusada de ter responsabilidade individual penal em relação a:
"crimes contra a humanidade de homicídio, violação e outras formas de violência sexual, perseguição e outros actos desumanos cometidos durante a crise da pós-eleição a partir do dia 28 de Novembro de 2010 em diante pelas Forças de Defesa e Segurança da Costa do Marfim ("FDS"), reforçados pelas milícias da juventude e por mercenários leais ao Presidente Gbagbo".

Este passo, dado pelo TPI, é histórico (visto ser a primeira vez que uma mulher, uma primeira-dama, se vê acusada de crimes contra a humanidade juntamente com o seu marido); e abre um precedente para acusações criminais futuras contra as mulheres de políticos que sabem e aquiescem perante actividades criminosas contra o seu próprio povo; ao mesmo tempo que lucram com a sua posição.

Já partilhei o que penso acerca de algumas mulheres de políticos e como elas chegam a vender a alma a troco de poder. Por isso, ver um orgão internacional intentar uma acção histórica contra este tipo de mulher/esposa...dá-me esperança em relação à cultura da ética e à humanidade.

Muita gente defendeu (e ainda defende) que as mulheres dos políticos não são responsáveis pelo que os seus maridos fazem (porque na maior parte das vezes, elas não ditam os destino das coisas). A esses indivíduos, pergunto duas coisas:

1. Sabem o significado de casamento e de conversa de almofada?
2. Sabem a quantidade de influência & poder que uma vagina tem?

Alguns poderiam também defender que o político, na maior parte das vezes, opta por não seguir os conselhos da sua mulher - de facto, pode acontecer; mas então, porquê o silêncio? Porquê apoiar os crimes perpetrados pelo marido? Quem cala, consente; e ao consentir tais actos criminosos elas são tão imputáveis quanto os seus maridos.
O que é que acontece quando um político opta por não só ouvir os conselhos da sua mulher, como também convidá-la para as reuniões do seu círculo íntimo, onde tudo é planeado e discutido? O TPI agora diz que a mera presença da esposa nesses encontros constitui comparticipação criminosa:

"Para além do mais, há motivos razoáveis que nos levem a crer, dada a posição da Srª Gbagbo como membro do círculo íntimo do Srº Gbagbo e o seu papel em relação ao plano comum, que ela tenha contribuído de forma coordenada e essencial para a sua realização. Ela compareceu às reuniões do círculo íntimo do Srª Gbagbo (...). Durante uma dessas reuniões, um líder da juventude pro-Gbagbo propôs atacar membros do partido do Srº Ouattara (...) e destruir e furtar todos os seus pertences, para que eles pudessem sofrer como outros costa marfinenses haviam sofrido devido às acções do Srº Ouattara. Durante esta reunião, a Srª Gbagbo expressou-se vivamente a favor desta proposta." 

O TPI fez bem em ir atrás de Simone Gbagbo; contudo não deve parar por aí. Ainda há muitas primeiras-damas, por esse mundo a fora, que (devido ao seu silêncio, complacência e cumplicidade) não devem escapar impunes.

Este tema dá que pensar; pois, quando votamos para eleger um político, também votamos para eleger o seu cônjuge.

Comentários

  1. Olá, Max!
    Ter vagina e poder parir não é sinónimo de espírito maternal, nem de bondade, nem tão pouco de compaixão.
    Essa mulherzinha é a encarnação do mal. A sua sentença, deveria ser prisão perpétua; para que ela, pudesse ter tempo de reflectir, acerca da destruição e desgraça que causou a milhares de famílias da Costa do Marfim, e aqueles que no mundo ainda se sentem mal quando tais horrores ocorrem.

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    1. Olá Lenny :D!

      É verdade; mas o mito, de que as mulheres são o bastião da misericórdia, do amor e afins, prevalece.
      Realmente, mas ela não está sozinha: ainda há muitas como ela por África a fora (e pelo mundo também).

      Lenny, um comentário fabuloso pelo qual te agradeço imenso :D.

      Beijinhos

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