Erdogan e Assad, Fora| Plano de Paz de Trump ou do Departamento de Estado?


Recep Erdogan tem de sair do poder e agora é chegado o momento de Bashar al-Assad partir. Há rumores da existência de um esboço do Plano para a Paz do Médio Oriente que o Presidente Trump é suposto anunciar em breve: mas esse Plano é do Presidente ou é do Departamento de Estado?

Turquia: Recep Erdogan Já Não é Mais Bem-Vindo

Recep Tayyip Erdogan é uma ameaça à segurança regional: sob a égide do combate ao ISIS ele atacou os combatentes Curdos na Síria; depois, após o ISIS ter sido derrotado, ele continuou a invadir a Síria e a atacar posições Curdas, tendo inclusivamente matado, na semana passada, dezenas de soldados pró-governo sírio – num ataque aéreo em Afrin ordenado por si (pergunta: como é que isto afectará as relações entre a Turquia e o Irão?). E como se não bastasse, o Presidente Erdogan está agora a ameaçar invadir e ocupar a Grécia (i.e. as Ilhas do Dodecaneso ocupadas em tempos pelo Império Otomano e devolvidas à Grécia via o Tratado de Lausanne [1924] e o Acordo Turco-Italiano [1932]).

A Grécia é um País-Membro da NATO: uma ameaça de invasão é uma pré-declaração de guerra. E uma ameaça a um País-Membro é uma ameaça a todos os Países-Membros da NATO consoante o Artigo 5º da Carta da Organização do Tratado do Atlântico Norte, não é?

O Artigo 13º da Carta diz “Depois de vinte anos de vigência, qualquer Parte poderá pôr fim ao Tratado no que lhe diz respeito um ano depois de ter avisado da sua denúncia o Governo dos Estados Unidos da América, o qual informará os Governos das outras Partes do depósito de cada instrumento de denúncia.” Número 13 (Carta XIII)...13 Atributos...está na hora de convidar o Presidente Erdogan a pôr termo ao Tratado da NATO.

A Turquia é uma força ocupadora (Chipre) que agora quer tomar e ocupar terra de um País-Membro da NATO. Porque é que a Europa e os EUA estão calados acerca disto? Não faz sentido permitir que esta ameaça à Segurança e Estabilidade continue a vingar.

Alerta de Hipocrisia

«In 2016, Erdogan said that Turkey "gave away" the [Greek – Ed] islands that "used to be ours" and are "within shouting distance." "There are still our mosques, our shrines there," he said, referring to the Ottoman occupation of the islands.» (Fonte)

Ha! Israel (ou Palestina como lhe chamaram os Romanos), antes da ocupação islâmica e otomana, foi terra Judaica (desde a antiguidade) e agora o Erdogan (mais os seus sócios) negam qualquer ligação judaica a Jerusalém e a toda a 'Palestina'.

Bem, Sr Erdogan: o Dodecaneso, antes da ocupação otomana em 1523, foi terra Grega desde a antiguidade. Por isso, o senhor partilha do mesmo problema que os Árabes: só porque ocuparam uma determinada terra há centenas de anos atrás, isso não faz dela vossa – especialmente quando o povo proprietário ainda existe (os Gregos e os Judeus ainda existem). 

Bashar al-Assad: Tá na Hora de Partir

O DS define-se pelo seu sentido de timing. Antes de 2018, não era apropriado remover Bashar al-Assad do poder devido às razões apresentadas aqui e aqui. Mas agora chegou o momento para a sua partida: quem beneficia com a sua permanência no poder? Aqueles que mais beneficiam disso precisam de ver a sua influência na Síria reduzida significativamente.

O Erdogan quer ver o Assad fora dali, mas os seus desejos pouco importarão em breve. A Rússia quer mantê-lo no poder (ou para manter a sua própria influência na região ou para vender armas – ainda que esta última leitura me pareça neste momento demasiado simplista) por isso se Moscovo perdesse Damasco...seria interessante. O Irão já tem o que queria: estar dentro da Síria, com bases espalhadas pelo território, por isso em breve irão deixar al-Assad cair. Os devidos actores deveriam começar a pensar no próximo líder Síria – principalmente com o Desenvolvimento Humano do Povo Sírio em mente, e não tanto os seus próprios interesses.

O Rumorado Plano da Paz do Presidente Trump

Se o que foi escrito é verdade – o que eu sinceramente duvido, uma vez que contradiz o que o Presidente Trump tem dito e feito até agora – então o DS tem de avisar o POTUS que Israel não irá aceitar a proposta do Departamento de Estado Americano:

  • Estado Palestiniano Desmilitarizado: o que é este disparate? A tal Autoridade Palestiniana tem mais grupos armados, armados até aos dentes graças aos donativos globais, que escolas e infraestruturas. E uma Supervisão Internacional seria tão eficaz como aquela feita (pela UNIFIL) ao Hezbollah no sul do Líbano. 
  • Dividir Jerusalém ao meio – jamais acontecerá. Recordemos alguns factos (muitas vezes vistos como coincidências – algo que não existe): todos, e repito todos, os políticos que tentaram dividir Jerusalém acabaram mal. Isto não é algo terreste, believe me.
  • Expandir a autoridade da Autoridade Palestiniana para a Área A e B na Samaria e Judeia: isto é baseado nos Acordos de Oslo, cujo prazo de validade há muito que expirou? Os mesmos acordos rejeitados por Mahmoud Abbas? Israel irá declarar soberania sobre 100% da Samaria e Judeia. Isto também não é algo terreste. 
  • O que é que aconteceu à doutrina americana "Não negociamos com terroristas"? A Corporação Hamas/AP/Fatah/OLP é uma entidade terrorista. Porque é que Israel tem de fazer algo que os EUA jamais fariam?
Agradecemos o que o Presidente Trump fez por Israel – e ele ficará para sempre inscrito nos livros da História devido à sua coragem política – contudo, o Estado Judaico não receberá ordens do Departamento de Estado Americano. Este Departamento, que se comporta como se fosse o verdadeiro Governo dos EUA, irá em breve compreender que estará a colocar em perigo os Estados Unidos da América se insistir em roubar um centímetro que seja da Terra Prometida, para a dar a qualquer outro povo que não seja o Escolhido – e este ponto não é definitivamente algo terrestre.

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